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Rascunhos

Blog sobre mim e alguns textos viajantes que eu faço durante as aulas de Química.

Thursday, August 25, 2005

Posting...

Há muito tempo que eu não postava, porque estava com preguiça e tinha coisas mais interessantes para fazer. Mas fiquei com saudades do blog. Voltei.

***
Nada como ir à uma Megastore ou a Siciliano e ficar lá parasitando, lendo livros de graça e tomando um capuccino. Quando vou a uma livraria pareço uma criança de grandes olhos que acabou de ganhar um pirulito. Fico lá sentada, e esqueço da música eletrônica idiota da loja, das pesoas ao meu lado e fico sentada, lembrando de comer alguma coisa de vez em quando.
Outro dia enquanto fuçava os livros da Megastore, encontrei uma revista com o psicodélico nome de Ácaro. Normalmente as pessoas não abririam uma revista cuja capa há um boi pastando, mas eu não sou uma pessoa exatamente normal. Abri e simplesmente adorei. A revista possui vários textinhos legais, e me peguei sonhando novamente em ser jornalista. Olha só o editorial:

"Esse filme aí não presta, viu? Quer dizer: também não quero influenciar o seu juízo. Faça como quer, imagino que pareça estranho eu dizendo essas coisas porque afinal de contas eu também estou aqui, sentado, esperando a projeção começar. Mas só assisto porque trabalho ali, do outro lado da rua, e chega uma hora que cansa essa história de ficar olhando o movimento, um ônibus, dois ônibus, um bêbado, a meninha com o cachorro. O senhor pode dizer que nunca é igual, a menininha não é a mesma, ou se for vai ser o laço do cabelo que é de outra cor, o cachorro que tem um fedor diferente, a mãe que desta vez vem do lado apertando a mão da menininha com uma força que só falta a coitada começar a chorar. Eu não vou discutir, mas comigo é assim: sempre a mesma coisa. Outro dia uma perua sem freio veio descendo a ladeira, raspando nos carros, chegou na curva ali embaixo e bum, entrou na loja dos chineses, levou vitrine, chineses, loja, tudo. O senhor vai dizer: deu uma variada. Pode ser - mas no fundo nada muda, é reprise, como se eu já tivesse imaginado. Não falam que tudo está escrito? Esse filme aí não presta, mas é o que dá pra fazer. Eu fico ali, canso, então tenho que me levantar, chegar na porta, conversar com o bilheteiro. Mas o bilheteiro fala sempre as mesmas coisas, a mulher dele que tem uma espécie de câncer, a filha que não quer estudar, o cunhado que sofreu um acidente, e agora vive como um legume. Eu olho no olho mas penso em outras coisas, a voz mecânica que fica respondendo, pois é, ahã, você tem razão. Então canso, bocejo, ele pergunta se eu não quero entrar. Eu já vi esse filme dezessete vezes. Entro, escolho um lugar diferente, estico as pernas, espero a sessão. Gosto dessa hora, a sala vazia, essa luz baixa que parece de vela, a tela que fica ali, paradinha, como se preparasse um susto. Já vi esse filme dezessete vezes, o senhor imagina o que é está sentado lá fora. O bêbado. A menininha. O cachorro que levanta a perna e sorri, aquela satisfação horrorosa de cachorro urinando...Ah, olha só, ficou escuro, já vai começar. Esse filme aí não presta, viu? Mas pode ficar tranquilo: eu aviso o senhor na hora de fechar os olhos."

Esse filme, Chico Mattoso, Revista Ácaro

Tuesday, April 12, 2005

Violência e pornografia

As aulas de judô finalmente recomeçaram. Isso significa 120 abdominais por aula e correr, e para uma garota preguiçosa como eu, que passa o maior tempo sorrindo porque movo menos músculos do que pra ficar séria, 120 abdominais não é uma boa notícia.
Quando não penso nos abdomnais, a aula de judô é até legal, se você não bater com a cabeça o tempo todo e o seu cérebro não fica balançando. Fico até mais calma depois da aula, não porque eu concorde com os srs pedagogos que dizem que ajuda a estravasar agressividade, mais porque eu volto tão cansada que não tenho saco pra ser má com ninguém.

* * *
Antigamente namorar resumia-se a gostar de alguém, beijar, conversar e dar risada, e algo mais quando não se tem 15 anos. Era algo simples e divertido.
Hoje eu me sinto meio perdida com tantas Caprichos, Atrevidas, Todateens etc. Nunca sei se estou ligando no horário certa, se estou sendo "misteriosa" e me mostrando aos poucos bem o suficiente, tentando não parecer galinha, simples, melosa demais, ciumenta demais. Há tantos manuais de "como conquistar na balada", "como manter o garoto", "como beijar", "como deixá-lo do seu jeito" e por aí vai. Me sinto meio deslocada porque não sei quando ligar, não tenho paciência pra ficar fazendo personagens e me arrumar de um jeito "sexy, mas romântico". Oh, saudades de como tudo era tão simples, e tudo que se precisava dizer era "Eu gosto de você". Estou cheia de colegas Bridget Jones que nunca sabem se estão namorando ou ficando. Porra, fodam-se revistas femininas, com seus horóscopos, dietas, cartinhas estúpidas do tipo "Transei sem camisinha. Será que eu posso engravidar?".

Sunday, March 27, 2005

O tradicional primeiro post

Não sou muito hábil em começos, da mesma forma que não sei fazer finais.Eu pensava nesse blog há muitos fins de semana , e carinhosamente rascunhava os posts durante minhas aulas, mas a vontade nunca era maior que a preguiça. Fora as vezes que tinha vontade de destruir o computador porque o template nunca ficava do jeito que eu queria.
Mal me conheço, e não poderia dizer que sou assim ou assada, porque as pessoas têm opiniões diferentes sobre mim.
Começos são chatos. Esse é particularmente irritante. Mas já foi o primeiro passo. E sorriam, terminei a introdução.

* * *

História de Amor

Lá estava eu lendo as histórias fofas do McCoy, quando decidir também publicar uma, sobre o título original “Minha história de amor”. Nunca fui muito boa em títulos, e foi um trabalho árduo pôr um nome ao blog. Acho difícil resumir algo em poucas palavras devido à minha natureza tagarela, e quando eu não ponho um enorme com 10 palavras, sai algo estúpido. Mas vamos ao meu textículo:

Não sei se alguma vez vocês já se apaixonaram, provavelmente sim. O ar fica diferente, os passarinhos cantam na sua janela ao invés de dar gritos estridentes pela manhã, e você consegue achar poesia até nas cólicas menstruais.
Foi tudo como manda o figurino: ele comprou um lindo buquê de rosas e fomos jantar em um restaurante romântico com uma música de bossa nova ao fundo, numa noite estrelada. Ele falou sobre amor, companheirismo e atenção, com um olhar que conversava com minha alma. Ele falou sobre família, eu suspirava e pensava na melhor combinação de sobrenomes para nossos filhinhos. Ele falou sobre não guardarmos segredos um para o outro, e fiquei tocada pela sua honestidade. Ele citou a vagabunda da Marcinha. Eu taquei a primeira coisa que vi na cara do cafajeste.Não sabia que aquela xícara de café estava tão quente.
Quase senti pena dele,mas acho que foi melhor assim. Eu no meu apartamento, e ele na clínica de recuperação para desfigurados.